sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

contramor

deixa eu contar
que é sim de arrancar os cabelos
ou de sentir a pele arrepiar
se você passa
e não me nota
ainda assim
eu me disfarço pra não estragar qualquer noite
que é tua
e já me vejo escondida
num olho meu que lacrimeja
a dor é minha
um sorriso que nem sempre
é
ou engana o coração
que quer estar de bem
e qualquer palavra de abandono
pra cima de mim era melhor que silêncio
e mereço
teu corpo quieto
e minha alma sem graça
de pedir por aconchego.
abraço ou calor.
rejeição ou piedade.
fica perto. perto da minha sanidade.
antes que eu a perca.
e nem assim conquiste mais o que é de se cuidar.
da vida inteira.
teu café ou teu jantar.
pudesse eu te guardar
sem ser lembrança vaga
mas, verdadeiro amor
verdade é
é só lembrar.
e pode ser só da minha parte, ainda assim
é bom.
e a distância matematicamente calculada
não sabe do sentimento
não calcula saudade.
nem o tropeço
que dou na calçada
quando desabroxo o riso falso da mocidade.

e sem fins em mim,
seja qual for o caminho
te amo infinito.
na contramão...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O fim da mocidade

Amor é quando o coração encontra calmaria.
Entre beijos, pernas e abraços.
Pior quando se sabe que a estrada vai, mas têm um fim.
E a viagem dura pouco menos que se espera.
Que um gole de café,
que servi
pra te mimar.
bem como gosto

E quando dá pra disfarçar,
me abro inteira
solto uma piada sem graça
que ninguém entende
porque falo baixo

o que não vêem é
mantenho comigo uma relação quieta
mas, de sorrisos largos
de se esconder atrás dos óculos


Dia sim, dia não
reviro meus baús
me perco em saudade
angústia mata
o que já pretendi ser

Talvez por isso
seja eu ora poesia
ora espinho
que se defende
por falta de coragem

por não caber em mim
a idéia de que a mocidade
também acaba.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

sempressa
sempre essa

mulheres

entreumas e outras
entro numas
saio doutras
fã delas

olhar mais bonito

é assim
indefinido

pisca
bate o sol muda de cor

olho finito
isca
que finca

sem trazer dor

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ca fé
a fé
expressa
com adoçante
de bons hábitos dominicais
queima a língua
se peca
mas, repete o gole
por graças infinitas

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O velho e a moça

Não posso te dar nada só esse rosto abatido. Logo passa.
E ainda que se desenvolvam não mais do que três assuntos,
fica.
E se esquecer de me falar,
esquece sem receio.
Mas, aparece quando der. Ali na escadaria, seria bom te ver de novo.
Por mais que queira ir para sua casa,
espera.
Não sei bem o porquê.
Talvez seja para não me sentir só, talvez.
Você precise de companhia também.
Para desejar boas novas, dar um riso de canto.
Contar uma história ou outra do que li e escutar tuas críticas sobre a criação da música ocidental e a escala de dó a dó.
Você me diz que seus hábitos são pra lá da terceira idade, mas quem disse que eles não se divertem.
Então, não deve ser tão ruim assim.
Você finge que tem 73 e eu 61.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

pós-leitura

E conversam com a poesia
Os olhos que se vendem fácil
aos caminhos vertentes à razão

E anda
e trafega
entre os limites do que realmente é
e do que pretende ser

E a voz por trás da leitura
é um amigo silencioso
procurando preencher suas lacunas

E o corpo
vive
e não só ocupa esse lugar no espaço

Ele se veste perfeitamente bem
mas, a armadura condena
ao não te livrar da indecisão

Porque a conversa já não basta mais aos olhos
atinge o texto e o inconsciente
e o resultado estará perdido na memória
segundos depois de acabar a primeira página